As
histórias têm memórias
Memórias literárias geralmente são textos produzidos por escritores que, ao rememorar o passado, integram ao vivido o imaginado. Para tanto, recorrem a figuras de linguagem, escolhem
cuidadosamente as palavras que vão utilizar, orientados por critérios estéticos que atribuem ao texto ritmo e conduzem o leitor
por cenários e situações reais ou imaginárias.
As narrativas, que têm como ponto de partida experiências vividas pelo autor no passado, são contadas da forma como são lembradas no presente. No caso da Olimpíada de Língua Portuguesa
Escrevendo o Futuro, este é um aspecto importante a se considerar, uma vez que não se trata de texto autobiográfico.
Assim, os alunos precisarão aprender a escrever como se fossem o próprio entrevistado.
A entrevista
Planejar e realizar entrevistas
Você vai entrevistar uma pessoa e para produzir seu texto vai seguindo
essa sequência de atividades.
Da entrevista ao texto de Memórias Literárias
Introdução
Objetivo:
Analisar, juntamente com os alunos, os procedimentos realizados para a
transformação
de um trecho de entrevista em fragmento de memórias literárias
(retextualização)
Retextualização
A produção de um novo texto com base num já
existente é um processo de retextualização, que compreende operações que
evidenciam como a linguagem funciona socialmente. Por isso, nessa atividade,
devem ser consideradas as condições de produção, de circulação e de recepção
dos textos. Quando a retextualização requer a passagem do oral para o escrito,
envolve estratégias de eliminação (por exemplo, de marcas interacionais,
hesitações) e inserção (por exemplo, de pontuação), substituição (por exemplo,
de uma forma mais coloquial para uma mais formal), seleção, acréscimo,
reordenação, reformulação e condensação (por exemplo, agrupamento de ideias).
Algumas dicas para escrever melhor.
A FIM DE / AFIM
A fim de é uma locução prepositiva que indica
finalidade.
A ANOS / HÁ ANOS
Se é
de tempo que falamos, usa-se há para indicar tempo passado ( mesmo que “faz”).
Exs.
Há dois meses
Carlos não aparece. / Ele chegou da fazenda há um ano.
Usa-se
a para
indicar tempo futuro.
Exs.
Daqui a dois anos
ele se manifestará. / Ele voltará daqui a um ano.
ACERCA DE / HÁ CERCA DE
Acerca de é uma locução
prepositiva, significando “a respeito de”.
Ex.
Os advogados do casal discutiram acerca da divisão dos bens.
Há cerca de é uma expressão em que
haver indica tempo decorrido, equivalente a “faz”.
Ex. Há cerca de uma semana, os
advogados discutiram a divisão de bens.
AONDE / ONDE
Usa-se
aonde com verbos
que dão idéia de movimento. Equivale sempre a “para onde”.
Ex. Aonde você vai?
E
com os verbos que não dão idéia de movimento emprega-se onde.
Ex. Onde estão os remédios?
CÂMARA / CÂMERA
A
grafia câmara é sempre
correta: Câmara Federal,
música de câmara...
Quando
quisermos referir ao aparelho que capta imagens e as reproduz, ou a pessoas que
o utiliza, pode-se usar câmera: câmera fotográfica,
câmera de vídeo.
COLORIR
O
verbo colorir e
defectivo. Não possui a 1ª. Pessoa do singular do presente do indicativo
nem presente do subjuntivo.
Ex.
Use pois, “eu estou colorindo”. Logo,
não existe nem “eu coloro”(ô)
nem “colóro”(ó).
DESTRATAR
Destratar significa “tratar mal”;
Distratar significa “romper um
trato”.
Quando
um contrato é rompido, o documento que se assina chama-se Distrato.
Então,
a frase “Ele foi distratado pelo
patrão está errada.” O certo é “Ele foi
destratado pelo patrão”.
DESCRIMINAR / DISCRIMINAR
Discriminar é “segregar, separar,
listar”. Uma pessoa pode ser discriminada devido à sua
religião, sua raça ou condição social ou cultural. Uma nota fiscal discriminada é aquela
em que os itens estão“separados, instados"
Descriminar é inocentar, tirar a
culpa de um crime, deixar de ser crime, alguns juristas preferem
utilizar o neologismo Descriminalizar.
EMBAIXO / EM CIMA
Cuidado
com a grafia destas palavras: embaixo temos uma única palavra, já o seu antônimo
em cima deve
ser grafado separado.
(AO) ENCONTRO / (DE) ENCONTRO
“Ao encontro de” e “de encontro a”, são locuções
antônimas. A locução ao encontro
de exprime conformidade, situação favorável.
Ex.
Ele veio ao encontro dos
meus desejos (=satisfez os meus desejos).
Já a
locução de encontro a exprime oposição, choque;
Ex.
Ele veio de encontro aos
meus desejos (=contrariou os meus desejos).
ESTRESSE / ESTRESS
Palavra
originária do inglês stress já devidamente aportuguesada, portando prefira sempre
a grafia estresse.
Veja
que da forma aportuguesada obtemos as formas derivadas: estressado,
estressante, etc.
FÉRIAS
Entrar
de ou em férias. Tanto
faz. É um caso facultativo.
FLUÍDO / FLUIDO
A
palavra fluido, empregada
como substantivo (“corpo grosso”) ou como adjetivo (“característica
de certas substâncias líquidas ou grossas”), não tem acento. Já a palavra fluído, particípio passado do verbo fluir (c”correr”,
“provir”, “derivar”), recebe acento agudo
no i, que forma hiato.
FACE
A
locução face a (às vezes
mutilada, restando o simples vocábulo face), cujo emprego aumentou centuadamente de uns anos para cá, é uma construção estranha à língua portuguesa. A
forma certa è em face de.
INVÉS / EM VEZ
Ao invés de significa “ao contrário
de”.
Ex.
Ao invés do que
previu a meteorologia, choveu muito ontem.
Não
confunda com em vez de,
que quer dizer “no lugar de”.
Ex. Em vez de jogar basquete, preferimos ver o vídeo do
casamento do Carlos.
HAJA VISTA
A
expressão haja vista é invariável:
haja vista o Brasil, que vai se recuperando da economia;
haja vista as proporções do nosso crescimento populacional. Finalmente, há a forma
haja vista a (Haja vista a estes magníficos exemplos) e ainda há quem faça concordância
do verbo haver com o elemento que vem depois de vista: Hajam vista as dimensões
do Brasil. Mas,
repita-se: a mais usada é a forma invariável haja vista.
MAU / MAL
Ela
em geral acorda de mau humor. O
contrário de bom é mau; o
contrário de bem é mal.
Então,
se diz bom humor, deve-se dizer mau humor.
Mau é um adjetivo. Sempre modifica um
substantivo.
Já a
palavra mal pode
ocorrer como:
Substantivo: Isto é um mal
necessário.
Advérbio: Eles cantam muito mal.
Conjunção: Mal cheguei, vi que ela estava triste.
Prefixo: As mal-amadas sempre são malcriadas.
MEU VER
Atenção:
nessa locução não ocorre artigo. Portanto é a meu ver, e não ao meu ver.
MENOR / DE MENOR
Expressão
popular largamente utilizada que significa “de menor de idade”, que ainda não
atingiu a maioridade”. No padrão culto, deve-se utilizar a forma “menor de
idade”. O
mesmo vale para o antônimo de “maior”.
Exs.
Ser menor de idade. Ser maior de idade.
NÍVEL
A nível de é um modismo que quase
virou um abuso, podemos dizer. Evite-o. Em vez de: “Trata-se
de uma portaria a nível de ministério”, diga simplesmente: Trata-se de uma
portaria de ministério (ou ministerial).
Existe,
porém, a expressão ao nível,
que significa “a mesma altura”.
Ex.
Santos está ao nível do mar.
A PAR / AO PAR
A par = estar ciente.
Ex. “Ele
está a par de tudo”
Ao par = título ou moeda de valor idêntico:
Ex. “O
câmbio está ao par”
PERDA / PERCA
Nunca
se esqueça que perda é
substantivo e perca é verbo.
Evite
a perda de tempo para que você não perca dinheiro.
Não
é correto dizer “perda a esperança”, nem reclamar das percas salariais.
Diga:
- Perca a
esperança... / - Perdas salariais...
PORQUE / POR QUE
Juntar
as duas palavras – por e que – ou mantê-las separadas é matéria controvertida.
A melhor
norma prática a se seguir é esta: só juntar os dois elementos num único caso – quando
se tratar de uma resposta ou de uma explicação; nos demais casos constituem a grande
maioria, separar os dois elementos.
1) Por que
__Usa-se para fazer uma pergunta, direta ou indireta.
Exs.
Por que você
não me esperou? (pergunta direta)
Quero
saber por que você
não me esperou. (pergunta indireta)
__Emprega-se, também, para substituir pelo qual, pelos quais, pela
qual, pelas quais, por
qual, por quais.
Exs.
As dificuldades por que passei...
(= pelas quais)
Ignoro
por que razões
ela fez isso. (= por quais)
2) Por quê
É
também interrogativo e se emprega sempre que vier imediatamente seguido do
sinal
de
interrogação (na interrogação direta), ou de ponto final (na interrogação
indireta).
3) Porque
É
empregado para dar uma resposta ou explicação.
Exs.
Por que você não me chamou?
Não
o chamei porque você estava
ao telefone.
Não
comprei a casa porque ela é muito
pequena.
Deixem-me
ir agora, porque já estou
atrasado.
4) Porquê
Trata-se
de um substantivo, sinônimo de “causa”, “razão”, “motivo”. É por isso que vem
precedido de artigo, o, os ou um.
Exs.
As crianças querem saber o porquê de tudo.
Tudo
na vida tem um porquê,
A ciência procura os porquês dos fenômenos.
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